MPF, OAB e defensorias recomendam ao estado de Rondônia fortalecimento do sistema de prevenção e combate à tortura

Uma recomendação sugere alterações na legislação para assegurar autonomia, infraestrutura e eficácia nas atividades do sistema.

O Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU), a Defensoria Pública do Estado de Rondônia (DPE-RO) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rondônia (OAB/RO) solicitaram ao governo e à Assembleia Legislativa de Rondônia a implementação de medidas urgentes para fortalecer o sistema estadual de prevenção e combate à tortura.



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O relatório destaca deficiências estruturais e normativas que comprometem a eficácia do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura (MEPCT-RO), o qual é responsável por inspecionar locais de privação de liberdade e prevenir violações de direitos humanos. A recomendação se fundamenta em um diagnóstico nacional realizado pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) e em investigações conduzidas pelo MPF.

Pontos principais da recomendação

Os órgãos que assinam a recomendação apelam ao Executivo e ao Legislativo estaduais para que modifiquem a legislação, a fim de sanar lacunas identificadas na legislação atual e garantir:

  • Uma equipe mínima de seis peritos remunerados no MEPCT-RO;
  • Aumento nas diárias pagas aos peritos, que atualmente estão desatualizadas e dificultam deslocamentos;
  • Autonomia administrativa e funcional do órgão, livre de interferências de secretarias ou administradores de estabelecimentos prisionais;
  • Atuação em todo o estado, com uma estrutura de funcionamento apropriada e sede descentralizada;
  • Representação majoritária da sociedade civil no Comitê Estadual de Prevenção e Combate à Tortura (CEPCT-RO), com critérios objetivos e inclusivos nos processos seletivos;
  • Proibição da participação de agentes públicos diretamente ligados à segurança pública ou à administração das unidades prisionais na composição dos mecanismos;
  • Adoção de ações afirmativas nos editais de seleção para garantir a representatividade de negros, indígenas e indivíduos que tenham experienciado o sistema de privação de liberdade.

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A recomendação enfatiza que as modificações devem respeitar os parâmetros definidos pelo Protocolo Facultativo à Convenção da ONU Contra a Tortura (OPCAT), do qual o Brasil é signatário, e as diretrizes da Recomendação nº 5/2018 do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura.


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MPF, OAB e defensorias recomendam ao estado de Rondônia fortalecimento do sistema de prevenção e combate à tortura

O governo e a Assembleia Legislativa de Rondônia têm um prazo de 15 dias úteis, a partir do recebimento da recomendação, para se manifestarem sobre a aceitação das propostas. Caso haja omissão ou negativa, os órgãos signatários poderão tomar as medidas judiciais adequadas para garantir o cumprimento das obrigações constitucionais e internacionais do Estado.

Assinam o documento o procurador regional dos direitos do cidadão, Raphael Bevilaqua, o defensor público da União, Thiago Roberto Mioto, o defensor público estadual, Eduardo Guimarães Borges, e o representante da OAB/RO, Cássio Esteves Jaques Vidal.